Como lidar com a insegurança em uma dinâmica de grupo

Veja dicas de como estar mais preparado para a dinâmica de grupo
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“Quando você for participar de uma dinâmica, você é que precisa se preparar de uma forma que deixe o outro nervoso”, orienta Rogério Duarte Reberte, gerente de recursos humanos da Catho Online. Para o executivo, esse nervosismo surge, primeiramente, por causa da aparência do outro, por isso é importante ir a uma dinâmica bem vestido e com uma boa aparência.

Segundo Rogério, a competência técnica raramente é discutida durante a dinâmica, já que quem a realiza é da área de RH, e não a área para que foi aberta a vaga. Por isso, o selecionador se apegará muito mais em alguns detalhes e competências que foram pedidos pelo solicitante da vaga. As competências técnicas são questionadas para verificar a articulação dos candidatos, já que quando ela fala sobre o que vivencia, ele tende a ser mais natural. “A técnica já foi vista no currículo. Mas, depois de uma dinâmica, sempre existe uma entrevista individual, e aí, sim, a competência técnica vai pesar”.

Pessoas mais bem preparadas do que a gente sempre existirão em qualquer lugar que seja, aí a importância do candidato fazer o seu melhor, como explica Stefânia Lins Giannoni, consultora, palestrante, headhunter e especialista em liderança e desenvolvimento de equipes: “além de fazer o seu melhor, o candidato deve ter consciência que todo processo de avaliação causa certa ansiedade e nervosismo, é natural do ser humano. Entretanto, podemos minimizar esta sensação nos preparando na busca de capacitação, desenvolvendo competências e pesquisando sobre a empresa. Isto nos dará mais segurança e consequentemente iremos nos sentir mais forte e preparados”.

Engana-se quem acredita que aquele candidato que mais se comunicou e foi mais extrovertido durante a dinâmica, tem a vaga garantida na próxima etapa do processo. A consultora em desenvolvimento humano, Cecília Junqueira, adverte: falar demais pode ser prejudicial à avaliação. “O importante é falar com propriedade, segurança, objetividade e energia no momento apropriado, sem interromper os demais participantes, ou seja, respeitando os demais. A arrogância no discurso é um dos pontos que mais desfavorece um candidato. Atenção! ”.

Ser você mesmo, e o mais natural, possível é essencial em qualquer dinâmica de grupo. Além disso, se comunicar de forma assertiva, ou seja, com clareza; saber escutar os outros; estar concentrado; ser objetivo; evitar posturas agressivas; ter gestos comedidos; respeitar as opiniões e exposições dos outros participantes; e tomar cuidado com a comunicação não verbal – a corporal, são outros detalhes que podem fazer a diferença.

Rogério acrescenta que, dependendo da vaga, o candidato que quer ser sempre o primeiro a falar, não deixa o outro se expressar e é muito destaque na dinâmica, pode ser o primeiro eliminado. “Um cargo, por exemplo, em que o profissional vai trabalhar em grupo, e durante a dinâmica, ele atropela todo mundo, fica tentando se vender e não ouve o que os outros estão falando, provavelmente não passará para a fase seguinte. Na dinâmica, o bom selecionador não observa apenas a pessoa que fala, mas todo mundo que está em sua volta”.

Treinamentos para se dar bem nas dinâmicas existem, porém, para Rogério e Stefânia, eles não são uma boa escolha. “Ultimamente, as pessoas estão sendo preparadas para participar de dinâmicas de grupo podem acabar sendo prejudicadas, pois criam um tipo que não corresponde ao que elas são, dificultando a análise do perfil deste profissional”, explica a headhunter. O executivo da Catho Online salienta que o profissional não deve ficar inventando coisas, e tem que ser, apenas, ele mesmo, e participar o maior número de vezes possíveis desses processos. “Na primeira dinâmica, você vai se dar mal, na segunda, se sair um pouco melhor, e na terceira já estará legal”, ele conta. Cecília, por sua vez, acredita que técnicas de apresentação e de teatro são muito bem-vindas e podem ajudar para o preparo de uma dinâmica.

Mesmo sem treinamentos, o candidato deve evitar algumas atitudes e comportamentos que podem ser fatais para o seu sucesso no processo seletivo. Entre eles, falar muitas gírias, mascar chiclete, ser ofensivo, julgar um concorrente que na sua visão falou uma besteira, querer ser o dono da verdade, tentar apagar os outros, ser arrogante, faltar com educação, não participar das atividades propostas, interromper quando o outro está falando, não se inteirar e fazer brincadeiras de mal gosto.

 

É a etapa mais difícil da seleção?

Algumas pessoas creem que a dinâmica de grupo é a etapa mais difícil em um processo seletivo, e que, passando por ela, a vaga está praticamente garantida. No entanto, a realidade não é bem essa. Segundo Rogério Reberte, ela é feita porque são muitos os candidatos para uma vaga, e é preciso diminuir a quantidade de pessoas para uma entrevista final; um candidato com muita competência técnica poderá ser filtrado nessa etapa.

Já Cecília Junqueira acredita que a dificuldade é vista sob o ponto de vista e características do candidato: “aquele que tem maior dificuldade para falar em público pode ter mais dificuldade em uma dinâmica, e aquele que não tem o raciocínio lógico e matemático muito desenvolvido, pode considerar que a fase dos testes é a mais difícil”.

Sendo ou não a etapa mais difícil de um processo seletivo, o candidato precisa apenas não deixar de ser espontâneo, estar atento ao que está sendo solicitado e fazer a sua parte. O restante cabe ao selecionador, tendo em vista as exigências que só ele sabe quais são para as vagas. “Para finalizar, vale a pena salientar que quando falamos em competência, estamos nos referindo ao conhecimento, embasamento teórico (competências técnicas) e atitudes/comportamento (competências comportamentais) de um profissional, observando que as competências comportamentais são o diferencial para o sucesso. Boa Sorte! Porém, não se esqueça que sorte é igual a competência mais oportunidade”, conclui Stêfania.

Fonte: Érica Nacarato – Portal Carreira & Sucesso
Imagens: Google Imagens